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Inflação alta reduz aumento salarial
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PATRÍCIA BASILIO
DE SÃO PAULO
A inflação -que atingiu pico de 7,4% em agosto no acumulado de 12 meses, segundo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)-, concomitantemente com o crescimento desacelerado da economia, resultou em aumentos reais médios inferiores aos conquistados em 2010, segundo pesquisa feita pelo Dieese para a Folha.
O crescimento "atípico" da economia nacional no ano passado, analisa José Silvestre de Oliveira, coordenador de relações sindicais da entidade, justifica a redução. "O cenário favorável às negociações coletivas [em 2010] não ocorreu com a mesma intensidade durante este ano."
| Gabo Morales/Folhapress |
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| Antônio de Pádua, em restaurante, na capital paulista (SP) |
No setor médico, o reajuste salarial real dos profissionais foi de até 3% este ano. Em 2011, chegou a 5%. "Nossa conquista foi encolhida pela inflação e pela crise financeira dos países desenvolvidos", argumenta Cid Carvalhaes, presidente da federação nacional da categoria.
Exceção no cenário das relações trabalhistas, o setor metalúrgico acumulou ganhos reais de, em média, 3,13% este ano -1,13 ponto percentual acima dos de 2010.
"A negociação foi favorável, mas teve duração de um mês e meio e contou com três grande atos", pondera Miguel Torres, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos.
Com o reajuste e a antecipação da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), o metalúrgico André dos Santos, 28, juntou a verba necessária para dar entrada no seu primeiro imóvel, há duas semanas. "Sem os benefícios, teria de esperar mais tempo."
REAJUSTE INFERIOR
Na contramão da demanda do mercado por engenheiros, a categoria teve reajuste salarial inferior ao da média da indústria no país.
O aumento real do setor ficou em torno de 1,3%, segundo a Federação Nacional dos Engenheiros. O reajuste médio da indústria, de acordo com o Dieese, estabeleceu-se em 1,52%.
A baixa quantidade de engenheiros em grandes empresas, segundo Murilo Pinheiro, presidente da entidade, reduz o poder de barganha do setor. "Somos minoria e nossos salários são, geralmente, reajustados por meritocracia", argumenta.
Apesar do aumento inferior ao do mercado, o engenheiro José Eduardo Villar Nassar, 57, diz estar satisfeito com a nova remuneração. "Não tínhamos reajuste salarial desde 2007 [em São Paulo]. O deste ano nos pegou de surpresa e veio em um bom momento", afirma.
As exigências do setor para o próximo ano, segundo Pinheiro, serão compatíveis com o desempenho da categoria e com o avanço da economia nacional. "Temos que ter bom senso e realismo para exigirmos o que as empresas têm condição de oferecer", afirma o presidente da federação.
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