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09/06/2013 - 00h59

Falta de técnicos inflaciona os salários na construção civil

CAMILA GOMES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

No mercado de construção, formar-se em um curso técnico pode ser mais vantajoso financeiramente do que em uma graduação, especialmente no começo da carreira.

Um levantamento da consultoria Page Personnel aponta que, entre 2011 e 2012, projetistas civis plenos e técnicos de edificações tiveram aumento de 70% na remuneração média, que passou a R$ 7.500 por mês.

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Paulo Dias, gerente da consultoria, atribui a inflação dos salários da área ao crescente investimento no ramo imobiliário e à chegada de equipamentos modernos que exigem mais conhecimento.

"Hoje, os recém-formados têm uma colocação no mercado até mais fácil do que os similares na educação superior", afirma.

Luciana Valentim, 28, atua como técnica em edificações há quatro anos e diz perceber a alta demanda por profissionais da área.

Deco Cury/Folhapress
Luciana Valentim, 28, técnica em edificações
Luciana Valentim, 28, técnica em edificações

"Quando me pedem para indicar amigos para vagas no setor, não posso ajudar, porque todos os meus colegas já estão empregados", conta a funcionária do IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológica do Estado de São Paulo).

Valentim fez o curso no Instituto Federal de São Paulo em dois anos. Depois, ela iniciou a graduação em engenharia ambiental e deve se formar em um ano.

Ela optou por esse caminho para crescer na carreira. "Há um certo limite para o crescimento -você não consegue ser responsável por uma obra, assinar determinados projetos e relatórios."

Dias afirma que esses profissionais enfrentam mesmo entraves na carreira se não tiverem a formação superior.

"Esses funcionários são exigidos nas empresas pelo conhecimento de tecnologias e obras específicas, mas ainda não são preparados para serem líderes e gerir pessoas", opina.

FORMAÇÃO
Por causa disso, o curso é uma forma de entrar no mercado rapidamente, mas costuma ser acompanhado de uma graduação.

E esse é um dos motivos para a falta de profissionais desse tipo no Brasil, de acordo com Celso Furukawa, professor da Poli-USP que tem um projeto com apoio da universidade para promover o ensino técnico no Brasil.

"As empresas têm uma 'janela' para a contratação desses profissionais, entre o técnico e a graduação -por isso, muitas vezes, contratam mesmo que o aluno não tenha muita experiência."

É raro, segundo os profissionais da área, encontrar estudantes que não tenham se inserido no mercado.

Outras consultorias citam técnicos de campo, como manutenção eletromecânica e de projetos logísticos como também muito procurados.

Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura e logística da Fundação Dom Cabral, atribui a grande procura pelos técnicos ao fato de eles ficarem no chamado chão de fábrica, para manter a qualidade da produção sendo importantes para a operação das empresas.

"Também são muito procurados os técnicos que possuem funções de comando, não como um executivo, mas coordenando equipes, como os profissionais que trabalham com tecnologia da informação e em laboratórios", afirma.

ONDE ESTUDAR
FORMAÇÕES TÉCNICAS
Técnico em Edificações - Senai-SP
Vestibular sob consulta
Mensalidade grátis

Técnico em Meio Ambiente - ETESP
Vestibular 16/6
Mensalidade grátis

QUEM EU PROCURO
Nessa área, o trabalho entre técnicos, operários e engenheiros tem de ser muito bem sincronizado, tanto na obra quanto no suporte, então é preciso saber trabalhar muito bem em equipe.
Também valorizamos profissionais que buscam novas formas de reduzir custos e eliminar o desperdício.
A escola em que o técnico se formou é levada em conta, mas não é ponto essencial. O que mais conta é a experiência.
Marcello Zappia, diretor de recursos humanos da construtora Tecnisa

 

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